Arquivo de 29 setembro, 2010

Sei que não estou sozinha

Quem nunca sentiu uma grande angústia por não conseguir afetar alguns alunos, que atire a primeira pedra. Fazer parte deste grupo é algo que vem acabando com o meu sono. Tenho em minha alma um sentimento de tristeza por ser incapaz de alcançar, de atingir ou de causar impacto (mesmo que fosse um impacto ruim) em algumas crianças. Às vezes, chego a me sentir como um fantasma, pois para elas sou tão invisível quanto um. Aliás, um fantasma lhes causaria medo e eu, nem isto e nem nada.

Já me perguntei diversas vezes “o que é que estou fazendo de errado?”, porém ainda não encontrei a resposta. A turma com a qual trabalho atualmente, um quarto ano do ensino fundamental I, me trouxe esta angústia. Já havia passado por esta situação, mas não com a intensidade com a qual me deparei neste ano.

Está difícil trabalhar deste jeito. E percebo que a causa deste problema tem relação direta com a falta de cobrança dos pais. Detectei esta causa por três motivos:

1- ao enviar bilhetes aos pais falando sobre a falta de interesse dos filhos não obtive respostas ou sequer um visto de ciência; 

2- por mandar lição para casa e ter retorno de apenas vinte e cinco por cento da sala, quando muito;

3- por conversar com os pais na porta da sala, na hora da saída, diversas vezes sobre o mesmo problema e não perceber a menor diferença nos respectivos alunos.

Meu problema só aumenta, pois já estamos no fim do terceiro bimestre e a situação continua a mesma. Será que no próximo ano esta angústia também me assolará? Bem, como para todo bom professor a esperança é a última que morre, eu ainda espero alcançar meus objetivos com estes alunos e, não ter o mesmo problema no ano que virá.

Com tudo isto, parece que uma música toca aos meus ouvidos

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita…


 

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